domingo, 14 de agosto de 2011

A VERDADEIRA "SABEDORIA" X "FILOSOFIA HUMANA": ÀS "IGREJAS DE HOJE":

(....) TRECHINHO DA MINHA 3ª APOSTILA: 2ª EPÍSTOLA DE PAULO! (1ª EPISTOLA AOS CORÍNTIOS):
A maneira de Paulo desenvolver o seu pensamento no interior de um assunto é por vezes desconcertante para uma mentalidade ocidental. Tem-se notado nele, muitas vezes, a existência de um esquema circular do tipo A B A’. Assim, em 1Co 7, Paulo apresenta primeiro a sua doutrina sobre o casamento e o celibato (A: 7,1-16). Depois, ele explica o princípio fundamental: cada qual fique no estudo em que o encontra o chamado de Yaohu (B: 7,17-24). Finalmente, à luz deste princípio, ele precisa e aprofunda o seu ensinamento (A’: 7,25-40). Esquema análogo encontra-se nos desenvolvimentos consagrados às carnes imoladas aos ídolos (8,1 – 11,1) e aos fenômenos espirituais (12 – 14), sendo o princípio diretor, B, respectivamente o primado da caridade e do serviço ao Evangelho (8,7-13; 10,24) e o hino ao amor.


O esquema A B A’ encontra-se igualmente em outras seções: assim, no trecho referente à refeição de Yaohu (11,17-34), o parágrafo que lembra a instituição da Eucaristia (11,23-26) expõe a realidade fundamental (B), à luz da qual as desordens expostas no início (A: 11,17-22) podem ser condenadas e corrigidas (A’: 11,28-34). O hino ao amor (1Co 13) estrutura-se sobre o mesmo modelo. Após um desenvolvimento acerca da superioridade do amor, sem o qual os mais notáveis carismas são inúteis (A: vv. 1-3), vem uma descrição das obras procedentes do amor (B: vv. 4-7); na conclusão, Paulo pode desenvolver novamente, de forma mais profunda, o tema da superioridade do amor que não passará, ao passo que tudo o mais desaparecerá (A: vv. 8-13).

Mais difícil é discernir a estrutura da primeira seção (1,10 – 4,21: os partidos na comunidade de Corinto), pois é mais complexa. Logo de início, pode-se admitir uma divisão bipartida entre 1,10 – 3,23, que se nos depara como uma exposição teológica e catequética bem estruturada, e o cap. 4, que mais parece olhar sobre a realidade concreta da vida apostólica e dos relacionamentos de Paulo com os coríntios, na ocasião em que ele lhes escreve.

A parte principal (1,10 – 3,23) tem em mira resolver o problema das divisões na comunidade. Ela fica delimitada pelo procedimento da inclusão (reiteração do mesmo vocabulário ou de fórmulas idênticas ou antitéticas, no início e no fim dum conjunto): “Eu sou de Paulo... de Apolo... de Cefas...” (1,11) e “Tudo é vosso, Paulo, Apolo, Cefas...mas vós sois de Maschiyah e Maschiyah é de Yaohu” (3,21-23). Esta antítese entre o início e o fim do conjunto significa que o raciocínio de Paulo visa fazer os Coríntios passarem de uma situação de divisão para outra, de unidade. De fato, Paulo investe sucessivamente contra duas causas do espírito de divisão em Corinto (cf. 1,17): a incompreensão do que seja o Evangelho de Yaohu (A: 1,12 – 3,4) e a incompreensão do objetivo colimado por seus pregadores (B: 3,5-27). Na juntura dessas duas exposições, volta o problema proposto inicialmente, com novas inclusões: “Quando um declara: ‘Eu sou de Paulo’, o outro: ‘Eu, de Apolo’, não estais procedendo de forma meramente humana?” (fim de A). “Pois, quem é Apolo? Quem é Paulo?” (início de B).

A – O Evangelho, que não é expressão da sabedoria humana, faz conhecer a suprema Sabedoria de Yaohu: a) sabedoria humana e loucura da mensagem messiânica (1,18-25); b) ilustração com a fundação da Igreja de Corinto (1,26-31); b’) ilustração pelo modo de Paulo anunciar o Evangelho (2,1-5); a’) o Evangelho, Sabedoria de Yaohu (2,6 – 3,4).

B – Os pregadores do Evangelho não intentam agrupar partidários a seu redor: a) seu trabalho comum na construção no campo de Yaohu (3,5-9a); b) seu trabalho comum na construção de uma Igreja que também é Templo de Yaohu (3,9b-17).

Uma conclusão (3,18-23) resume o conjunto do arrazoado e suas conseqüências práticas.





Principais problemas tratados. As questões particulares tratadas por Paulo nesta epístola derivam de um problema fundamental que afetou todas as épocas da história da Igreja, em particular a sua atividade missionária, e que, hoje, a afeta mais do que nunca: o da “distância cultural”, do enraizamento da mensagem messiânica em uma cultura diferente daquela em que esta mensagem vivera anteriormente (aculturação). Aqui, trata-se da passagem da cultura do mundo judeu-palestinense para a do mundo helenístico, animada e estruturada por dinamismos muito diferentes e que correm o risco, não somente de alterar a mensagem, porém, mais profundamente, de assimila-la no sentido da assimilação biológica: a cultura helenística, fundamentalmente pagã, só reteria da mensagem evangélica o que estivesse em harmonia com ela e rejeitaria o resto. Esse fenômeno ocorreu muitas vezes, particularmente nas numerosas correntes gnósticas messiânicas do século II e, através dos tempos, em países evangelizados às pressas, onde o resultado foi à sobrevivência do paganismo anterior, superficialmente ativado com elementos tomados da fé messiânica. Diante deste problema, a atitude de Paulo, é ao mesmo tempo firme e flexível; ele insiste vigorosamente no aspecto de ruptura, condenado desapiedadamente os comportamentos e doutrinas inconciliáveis com a mensagem que anuncia. Mas quando tal incompatibilidade não existe, mostra-se receptivo.

Passemos rapidamente em revista, nessa perspectiva, os principais problemas tratados na epístola.

No que concerne à questão das divisões na comunidade, da verdadeira e falsa sabedoria, era mais ou menos inevitável que, vivendo no mundo religioso helenístico, os messiânicos fossem tentados a conceber a sua fé pelo modelo dos numerosos grêmios de iniciação que agrupavam os discípulos de um mestre famoso. Daí o entusiasmo por pregadores como Apolo, que devia ter o brilho e a eloqüência desses mestres pagãos; daí também as divisões, cada um querendo colocar-se sob o patrocínio de um chefe de escola. A reação de Paulo é viva. Ele se opõe energicamente a esse estado de coisas, pois percebe nele o perigo de uma redução da fé messiânica a uma sabedoria filosófica humana, e constata as rivalidades de escolas que daí resultam e arruínam o seu conceito de Igrejas-congregação. [Esse, é o GRANDE PROBLEMA de hoje em dia com as “Denominações” – que estão seguindo o mau exemplo das “Seitas” – ensinando apenas os bens materiais, a saúde, a riqueza material, etc.; encaixa-se bem nos ensinamentos de Paulo... Só que ninguém vê ou percebe: 2 Coríntios 4,4 Essas pessoas não confiam porque o deus do ‘olam hazeh cegou-lhes a mente para impedi-las de ver a luz brilhante das BOAS-NOVAS a respeito à glória do Messias, que é a imagem de Yaohu! Há, nessa “denominação” – eu fui curado...; nessa outra eu consegui emprego...; nessa outra e só nessa, eu recebi o Rúkha hol – RODSHUA – só nessa...; etc. Isso tem que acabar, irmãos tenham mais fé! Jo 4,19-21]. Anselmo Estevan.

‘o-lam ha-zeh. Este mundo, esta era (Mt 12,32+). Continuação do parágrafo acima: A sua preocupação em opor a sabedoria humana à “loucura” da pregação (1,17-25) só parecerá excessiva a quem esquece o que está em jogo no debate: Paulo assim age, diz ele, “a fim de que a vossa fé não esteja fundada na sabedoria dos homens, mas no poder de Yaohu” (2,5). Mas há ao mesmo tempo a preocupação de não desestimular a autêntica procura de sabedoria que se manifesta em Corinto. E por isso ele apresenta aos seus leitores a verdadeira sabedoria, que não é fruto de uma pesquisa filosófica humana, mas antes dom de Yaohu no Rúkha (2,6-16). O Rúkha – YAOHU! O ESPÍRITO DE YAOHU – Grifo meu.

As questões relativas à ética sexual são igualmente suscitadas pelo encontro da nova fé com a cultura ambiente caracterizada ou por um demasiado laxismo nesse terreno (5,1-13; 6,12-19; cf. 6,14 nota), [Veja caros irmãos leitores que interessante esse estudo a parte: 6,14 nota – e também nos ressuscitará a nós. Como indicam os vs. 15-17, Paulo lembra os coríntios e que a salvação em {Maschiyah} não inclui apenas a ressurreição da ALMA, mas também do CORPO]. [Esse fato, que ocorrerá no retorno de (o Maschiyah), tem implicação para a nossa vida hoje. Muitos coríntios tinham uma visão errônea do corpo físico por causa da influência dos FILÓSOFOS GREGOS. Devido a uma teologia deficiente, alguns consideravam as relações sexuais como algo intrinsecamente pecaminoso, pois envolviam paixões físicas (7,1-5). No entanto, o problema aqui parece ser exatamente o oposto: alguns coríntios encaravam a PROMISCUIDADE SEXUAL com algo aceitável, pois pensavam que a participação do corpo, por não ter valor intrínseco, não acarretava conseqüências para a vida espiritual! Esse é só um exemplo para tomarmos o cuidado de não fazer exatamente o “igual” e não o seguirmos. Pois podemos não estar seguindo este exemplo mas cometendo algo parecido com nossos corpos e almas e mentes... ok. (Anselmo Estevan)], ou por um desprezo do corpo, corrente em certas tendências filosóficas da época (cf. 7,1 nota), e que fazia da abstenção do matrimônio um ideal absoluto. A preocupação de Paulo é mostrar o caminho certo, em face desses exageros opostos: condenação sem apelo de todas as formas de desordens sexuais, legitimidade e valor do casamento, elogio da virgindade (cap. 7). O princípio que fundamenta esses discernimentos é o que está enunciado em 6,12 e repetido em 10,23: “Tudo é permitido, mas nem tudo é conveniente”. O messiânico está libertado de todos os constrangimentos exteriores, mesmo no domínio moral, mas essa liberdade deve ser aproveitada para procurar em todas as circunstâncias o que melhor convém à vida nova animada pelo Rúkha.

É esse mesmo princípio (cf. 10,23) que ilumina o problema seguinte, o das carnes imoladas aos ídolos (8 – 10). Também aqui estamos diante de um caso em que a fé messiânica deve tomar partido pró ou contra um aspecto da cultura pagã ambiente. Também aqui os princípios de solução são os mesmos: tudo o que se opõe à fé deve ser proscrito; é o caso da participação nas refeições religiosas pagãs (cf. 10,14-22). Em compensação, comer na própria casa, ou em casa de outrem, carnes que provêm dos sacrifícios pagãos é coisa totalmente indiferente do ponto de vista messiânico (8,7-8). Mas há outra consideração que se impõe ao discípulo do Maschiyah: o amor fraterno lhe proíbe ser causa de escândalo para os fracos (8,9-13).

As desordens nas assembléias religiosas (11 – 14) constituem um novo caso de contaminação da vida messiânica pelas praticas oriundas da mentalidade religiosa do paganismo. Quer se trata dos abusos na celebração da Eucaristia, onde a ambiência suspeita das refeições sagradas do paganismo parece já se ter infiltrado (embriaguez: 11,21), quer se trate da atmosfera das reuniões litúrgicas, onde se encontram igualmente elementos da exaltação um tanto delirante de certas reuniões religiosas que os messiânicos sem dúvida freqüentemente antes da conversão, a meta de Paulo é sempre a mesma: manter o caráter próprio do culto messiânico que não se deve conformar com os costumes religiosos circundantes, mas refletir o mistério da comunidade no Maschiyah. Daí os critérios fundamentais: a utilidade comum (12,12-30), a edificação da comunidade (14,1-19) e, acima de tudo, o autor (13,1-13).

Enfim, 1Co 15 nos apresenta de maneira ainda mais clara o choque da mensagem messiânica com a mentalidade ambiente: ao passo que a ressurreição dos mortos se harmonizava com o judaísmo (ao menos o farisaico), habituando a conceder o homem em sua unidade, ela quase tinha enraizamento possível numa cultura influenciada por filósofos dualistas. Paulo teria podido capitular perante os “elementos da fé” de seus leitores, como haviam feito, em circunstâncias análogas, o autor do livro da Sabedoria e Fílon de Alexandria: eles tinham insistido o menos possível sobre esse ponto, dificilmente aceitável, acentuando sobretudo a vida imortal das almas. Paulo, pelo contrário, afirma resolutamente o ponto contestado da ressurreição dos mortos. Ele não procura provar filosoficamente a sua possibilidade, mas mostra que “se os mortos não ressuscitam, também Maschiyah (o Messias) não ressuscitou” (15,13.16) e que, por conseguinte, a fé dos coríntios é vã (15,14).

Por este último ponto referente a um problema que se põe hoje em termos semelhantes, vê-se que a Primeira Epístola aos Coríntios talvez seja a mais atual de todas as cartas de Paulo. Sem dúvida, as soluções propostas são marcadas às vezes por um condicionamento cultural diferente do nosso (cf. 11,2-16); mas a situação com que Paulo se defronta tem paralelos com a nossa, e os princípios que norteiam as suas respostas sempre nos podem esclarecer.

(MAIS UM TRECHINHO DA MINHA 3ª APOSTILA DE INTRODUÇÃO AO B'RIT HADASHAH [NT]: BÍBLIA ECUMÊNICA - TEB. BÍBLIA DE ESTUDO GENEBRA, BÍBLIA JUDAICA COMPLETA. FORAM USADAS NESTA PESQUISA - FEITA POR: "ANSELMO ESTEVAN" FORMADO EM BACHAREL EM TEOLOGIA PELA FACULDADE IBETEL DE SUZANO. ANSELMO ESTEVAN.

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